Eu não sei o que esperar do amor. Acho que nasci com uma capacidade de amar que poucas pessoas têm e como tal, poucas pessoas valorizam. Desde pequena estive propícia ao amor. Amor ao próximo, ao animal de estimação, aos brinquedos, à família. Sempre muito rodeada de amor.
Quando tive meu primeiro amor, meu primeiro amor à primeira vista, achei que jamais sentiria o que sentia naquele momento por ele. A vergonha te tê-lo por perto enquanto o coração pulsava tão forte que acho que só de me abraçarem sentiam, o sorriso no canto dos lábios toda vez que ele aparecia pra me ver, quando nos falavamos. Mas eu era ainda tão criança, tão infantil pra tal amor que eu sentia. Faltava maturidade pra saber levar e construir algo com aquilo. E foi por essa falta de maturidade que tive a minha primeira decepção. Eu brigava tanto com Deus e comigo mesma por erros banais. Por coisas que tive que ouvir sem necessidade. Sem nenhuma necessidade mesmo. Vai, eu era tão jovem. Tinha que pensar em tantas outras coisas sem ser no amor.
E lá vamos nós, tirando lições já tão nova do amor, construindo uma personalidade, crescendo e aprendendo. Não errar. Não cometer os mesmo erros novamente. Então o tempo passou e os ventos me trouxeram um novo amor à primeira vista, uma nova paixão que jurava (e tenho certeza absoluta hoje em dia) que era mais forte que antes. Tudo novo. Tudo completamente maravilhoso. O primeiro abraço. Primeiro beijo. Primeiro carinho. Tudo, tudo, tudo primeiro. Mas da mesma forma que os ventos me trazem algo, elas rapidamente mostram o quanto eu imagino demais, falo demais, penso demais, sonho alto demais. Foi um caso de amor que hoje com quase vinte primaveras eu não tive mais. Com idas-e-vindas, com brigas e reconciliações, recheadas com mais decepções ainda.
Até o dia que eu me tornei uma mulher e me toquei o quanto o amor dele me maltratava, o quanto ele me maltratava, me usava, só mostrava para todos o quanto eu me rendia quando estava perto dele. Me tornei tão mulher à ponto de saber a hora de parar. Engolir o sentimento e seguir em frente. Com lágrimas algumas vezes, com saudade em outras, mas segui em frente. Quando menos esperava, ele ainda estava presente na minha vida à ponto de me fazer chorar por horas de arrependimento de não saber dizer um "não" pra ele. E como foi difícil esquecer. Te juro minha querida que ainda tem vestígios de tal sentimento no meu coração. Ele foi daqueles tipos de amor que não voltam mais. Não acontecem duas vezes. Mas não soubemos aproveitar. Não só ele, mas eu também. Tive que aprender tantas coisas e aprendi. Tirei lições novamente e botei meu barco nesse oceano do amor. À espera sempre de algum navio para me resgatar. E o navio chegou. Não com tanta intensidade como antes, mas chegou minha cara. Da forma que não poderia acontecer, da forma que eu sempre soube desde o começo que eu amaria sozinha, que eu sofreria sozinha e que nunca, nunca daria em nada. Com tantas lições, fiz tudo do jeito que eu aprendi. Vacilava às vezes e me pegava chorando à noite por ser tão idiota de estar cometendo novamente os erros que tanto me fizeram sofrer no passado. Mas minha querida, mulher apaixonada é burra e eu estava loucamente, piamente e encantadamente apaixonada por ele. Pelo jeito. Pelo sorriso. Pela voz. Pelo andar. Me apaixonei por cada detalhe e o amava, cada dia que o via e me entristecia cada dia que ele ia embora. E por medo não demonstrei o suficiente. Não transpareci o suficiente. Com a certeza que tive desde o começo deixei ele ir embora da minha vida. Por que, já disse, não daria certo.
Agora, eu fico aqui, sonhando com quem não se deve, pensando em alguém só pra ocupar pensamentos, imaginando pessoas que não existem e não vão aparecer na minha vida. Preenchendo um espaço no coração. Um espaço nesse barco que é novo e ao mesmo tempo tão velho. Tão carente e precisando de cuidados. Ninguém sabe cuidar dele direito. Só que não é por isso que eu desistirei. Da mesma forma que você encontrou seu Romeu, seu amor tão proibido e que lutaram tanto pra ficar juntos e no final conseguiram sua eternidade juntos, eu vou encontrar o meu. Não precisa ser perfeito, ser do jeito que eu sonho, do jeito que todos esperam e nem um amor proibido. Mas que seja claro, belo, sincero esse amor. Que o meu venha da forma que me complete como ninguém, que me faça olhar pra ele todos os dias e querer uma vida e mais tantas outras que eu terei ao lado dele. Ter aquela certeza absoluta de que no final, nem que seja em um asilo, é ele que vai estar segurando minhas mãos, beijando minha testa e dizendo eu-te-amo. Eu peço tanto todos os dias para que meus caminhos sigam ao lado do destino, que os dois um dia se unam e me tragam um navio de onde não vou querer mais sair. Pra onde o vento sempre vai soprar. Que os Deuses iluminem essa pessoa que está em algum lugar esperando pro mim, para que ele saiba tudo que eu sei sobre esse encontro. Do quanto vai ser bom. E será. Por que, se Romeu e Julieta conseguiram se amar em meio a tantas coisas, eu irei conseguir também. Mas um dia. Sem "e se", sem arrependimentos e sem frustrações. Apenas luz e amor."
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