Existe mais do que dois muros que separam a gente. É como se fosse uma Muralha da China ao seu redor e ao meu, só que a sua fortaleza é composta por muito mais fantasmas do passado como guerreiros, coração preparado para não se apaixonar como um escudo de linha de frente e seus olhos são os olhos da fortaleza, que vêem, observam e avisam ao restante que o perigo se aproxima. E tenho acreditado cada vez mais que sua cidade inimiga sou eu, seu perigo.
Não sou tão forte quanto pareço ser, nem tão confiante nos meus sentimentos quanto demonstro. Sou uma fraca, sensível e boba. Com cinco minutos de atenção já abaixo minha guarda pro sorriso bobo aparecer e me enganar que sou desejada, amada e essas coisas. Eu derrubo minhas muralhas com qualquer frase que vem em embalagem de bombom, com qualquer papo de homem pegador (mesmo sabendo que é tudo balela) e com três ligações e uma ou duas mensagens de texto por semana, você já se torna líder do batalhão que comanda meus sonhos, é o rei do meu pensamento diário e o nobre pelo qual meu sorriso se descontrola.
E eu sei que todo seu armamento te impede e impediu, todo esse tempo, de me deixar penetra-lo. Mas você é o meu xeque-mate, a fortaleza da qual eu sonho em conquistar e se você deixar, eu vou chegar lá. Não vou destruir seus muros com marretadas e explosões como fizeram para derrubar o Muro de Berlim, não mesmo. Eu vou aos poucos, com toda calma, é só você me permitir. Eu conquisto com calma seu território e te mostro que pode confiar em mim. Eu derrubo parte por parte da sua fortaleza de pedra, porque é aos poucos que se chega onde se quer. Eu canto uma canção pro seu batalhão se acalmar quando ele precisar e ainda cuido e ajudo a domesticar esse dragão que mora dentro de você. Eu te mostro como meu olhar de pedra bruta pode brilhar e que com ele você não precisaria mais de sol. Eu seria seu sol, seu luar e abraçaria sua escuridão interna, com a minha. E quando enfim, entrasse sem você perceber, uma certa noite dentro da sua fortaleza, assim como Aquiles e Ulisses entraram em Tróia, eu te falaria que meu ponto fraco sempre foi você, foi você meu calcanhar de Aquiles.
Te trancaria dentro de um castelo onde tudo que você teria seria apenas amor, carinho, lealdade, cumplicidade e tudo mais do qual você quisesse e necessitasse. Eu poderia te ajudar a entender tudo que eu quis dizer até agora. É só você deixar, dizer que me permite ser a historiadora dos seus segredos, a arqueóloga do seu corpo e a socióloga do seu jeito. Eu também te explicaria que a Era Medieval não foi a Idade das Trevas como dizem e como o mundo Egípcio é fascinante. E te levaria pra ver show's rales só pra rir e ter coisas engraçadas para contar pros nossos netos e abriria um sorriso sincero e de um jeito meigo contaria para todos que perguntassem como nos conhecemos e como tudo começou.
Eu traçaria a rota do seu mundo ao meu e vice-versa, para que tudo que doesse em você causasse dor em mim também e que tudo que lhe oferecesse um sorriso, chegasse em mim como um motivo de sorrir em dobro. Mas isso tudo, só se você me permitir. Não quero bater cabeça em muro de ferro. Me permite isso, vai, me permite fazer parte do seu dia-à-dia novamente, ser seu primeiro pensamento matinal e o último no final do dia, sua motivação para alguma coisa. Eu tenho tanto, mais tanto pra lhe oferecer em troca de tão pouco, me permite vai! Aceita essa solicitação.