terça-feira, 13 de setembro de 2011

Eu quero tanto

Foi melhor do que eu pensava. Tinha o sorriso mais bonito. Chamou atenção, claro que chamou. De longe, já o avistei e já queria pra mim. Já queria perto de mim. Tinha a voz mais suave, era como uma canção para os meus ouvidos. Era como fechar os olhos e imaginar tudo que me contava, como um sonho, só de ouvi-lo falar. Tinha um jeito discreto de me observar, de me olhar de cima à baixo. E eu gostava, como gostava. Eu fui no embalo dele, seguindo a dança conforme ele conduzia. Quando ele me tocava sem querer, eu tinha vontade de sorrir. Quando falávamos do futuro, era como se tudo que tudo nosso se encaixasse. Nós dois gostamos das coisas, nós pensamos do mesmo jeito, nós temos as mesmas manias.
Era falar, rir e responder um: "Eu também". A noite chegava e tudo que eu queria era fugir dali com você. Te roubar pra mim. Te levar pra conhecer todos os meus medo e paranoias. Te mostrar toda minha instabilidade e vontade de viver. Queria te falar sobre Mitologia, sobre o céu, sobre seu signo, sobre como você estava me fazendo bem em algumas horas de bate-papo. Queria te levar pra ver o pôr-do-sol do lugar que eu mais gosto, pra ver as estrelas, te mostrar a constelação do "R", te falar sobre as fases da lua e como isso afeta cada pessoa. Eu queria, queria tantas coisas com você em pouco tempo. Você disse que estava falando demais, mas não, nós dois falávamos e combinávamos à cada palavra que seguia.
Quando sua mão tocou meu rosto e você se aproximou, minhas mãos suaram. Eu queria tanto te beijar e ao mesmo tempo não queria. Por que te beijar, seria colocar um ponto final naquela conversa tão agradável. Fiquei com medo de você levantar depois, dizer que foi bom e só. Só que não aguentei, minha boca queria tanto encostar na sua. Eu queria tanto sentir seu gosto, seu beijo. E nos beijamos. E nos encaixamos. E eu queria te beijar por muito mais tempo. Queria sentir suas mãos na minha nuca por tanto mais tempo. E levantamos, fomos ficar mais perto. E a conversa continuou. E a vontade de te levar paras Ilhas Gregas, de te mostrar Delfos e o oráculo, de te falar sobre como Hitler era louco, te explicar sobre como aquele seu gesto combinava com seu signo, como seu modo de falar era completamente seu signo. Continuava querendo te levar pra conhecer os anéis de Saturno e te mostrar como Plutão é sim, um Planeta, te falar que acredito sim que exista vida em Marte ou em qualquer outro planeta. Queria te falar que acredito sim em coisas ao acaso, que o destino planeja e que a nosso encontro foi escrito. Foi planejado. Antes mesmo de nós mesmos pensarmos!
Como eu estava curtindo aquele momento. Seu beijo tão bom, seu gosto. Seu toque delicado, seu jeito comportado, seu abraço carinhoso. Aquela sua pegada, ah, a sua pegada. O que eu posso falar dela? Me deixou com tanto gostinho de quero mais. O modo como você me apertava, me pressionava ao seu corpo, acho que foi ali que me apeguei. E viajei pensando nisso, com saudade disso, querendo mais disso. Você foi especial da sua forma naqueles momentos em que estivemos juntos. E eu gostei tanto, mesmo sabendo que você mal adivinha isso. Até da sua mão sobre a minha cintura, eu gostei.
Só que a noite acabou e o encanto todo se foi. E se um dia será igual? Não tenho tanta certeza, mas queria que você soubesse disso tudo. Eu quero tanto de novo, será que pode? Pode voltar pra mim. Da mesma maneira que veio. Vou aceitar todos seus carinhos e desejos, vou abraçá-lo como se o mundo fosse acabar e sentir você como se faltasse um minuto para o fim do mundo. Eu quero tanto, ainda quero te mostrar todas aquelas coisas. Eu quero tanto te falar sobre muito mais coisas que faltou tempo de falar. Eu quero tanto, tanto, tanto. Você.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O fim.

Ele sabe. Sempre soube. Que de uns anos pra cá, não éramos mais os mesmos, não tínhamos a mesma química e que não voltaríamos a ser o que éramos antes. Ele sabia disso, ele tinha certeza disso, mas insistia tanto ainda. Quantas vezes nós dissemos que "daqui pra frente" iria ser só amizade e quantas outras vezes nós percebíamos que não ia dar certo ficar longe um do outro. Até que um dia, resolvemos conversar. Colocar os pontos nos "i's" de sete anos de pendências, dúvidas, coisas mal explicadas. Depois de muita conversa, ele parou. Me olhou e deu aquele sorriso leve, simples do qual eu sempre gostei.

- O que houve? - Perguntei em meio ao silêncio que ficou dentro do carro.
- Sabe, eu acho que sei o ponto pelo qual venho errando todos esses anos. Eu olho pra você e tento ver aquela menina que conheci no parque. Eu olho pra você... e tento ver a menina pela qual me apaixonei. Aquela que tinha um brilho nos olhos diferente, que tinha medo de não saber beijar, que ficava nervosa quando eu te abraçava. Você não sabia nem o que fazer, lembra? Quando eu te beijava, se descesse a mão mais um pouquinho, você ficava sem graça. Me empurrava. Com o rosto todo vermelho. Ficava com as mãos na minha nuca e não se movia. Você era sonhadora, romântica, não tinha medo de demonstrar seus sentimentos. Era sentimental demais. Foi nesses poucos detalhes que me apaixonei por você. Loucamente, estranhamente e insanamente. Mas hoje em dia... Bem, hoje em dia eu olho pra você e vejo uma mulher. Você aprendeu a se fechar quando deve, quando pode, quando acha necessário. Você esconde seus sentimentos, você pouco fala sobre eles. Você perdeu o seu olhar de criança e ganhou um olhar com tanta, mas tanta vida já vivida, que assusta qualquer um. Você não tem medo de ser quem você é, tem atitude. Quando eu te beijo agora, você sabe o que fazer. Você tem total consciência de que seu beijo é imprescindível, gostoso e inesquecível. Você beija esses menininhos aí, sabendo que eles vão querer um bis, por que não dá pra se satisfazer dos seus beijos só uma vez. Não só dos beijos, mas de você. Dos seus carinhos com ar de quem sempre soube fazer isso, dos seus afetos, abraços, suas mãos quando toca o corpo do outro. Você não imagina o tamanho do tesão que eu sempre senti por você e cada dia que passa eu sinto mais. Só que as coisas mudaram. O tesão, amor, admiração que eu tinha por aquela menininha é o que eu procuro em você ainda. Só que você não é mais a mesma e eu não quero enxergar isso... Na verdade, verdade: morro de medo de enxergar que você cresceu, que de certa forma, não precisa mais dos meus cuidados. É te abraçar e sentir que seu abraço não é mais da mesma forma, você me abraça agora quando tem vontade, quando tem carinho ou, normalmente, depois de um longo beijo. Você abraça muitas vezes por estar satisfeita com o que aconteceu, não pedindo apoio. 
Hoje nossos papéis são inversos na nossa história. É você que me surpreende todas as vezes, eu não sei mais o que fazer pra te surpreender. É você que sabe exatamente como me dar prazer. Sabe onde tocar, o que falar, o que fazer em cada momento que vai me deixar maluco de desejo por você. Eu não tenho mais certeza se estou te satisfazendo. Não por tudo que um dia você me falou, mas por você não transparecer muito suas emoções. Não quero te ouvir gemendo no meu ouvido ou falando qualquer tipo de sacanagem pra eu ter certeza que eu posso te satisfazer do jeito que sempre quis e que você sempre mereceu. Mas preciso olhar no fundo dos seus olhos e sentir uma certeza que sim, eu posso fazer isso. Só que eu não sinto isso. Não todas as vezes. E como posso querer namorar, casar, com essa incerteza? Eu sonhei tantas vezes em casar com você. Te imaginava entrando pela Igreja, seu pai entregando você pra mim. Nossos filhos, como seriam. Seriam  loirinhos ou morenos? Teriam seus olhos ou sua boca? E sabe... Não quero mais imaginar isso. Eu sonhei tudo isso, com aquela menininha, só que... em tão pouco tempo, você mudou tanto, mas tanto. Você tem o mesmo rosto de antes, mas não é mais a mesma. E eu errei aí, sempre errei aí. Por que meu sentimento não passava de obsessão, não passava de querer que você fosse a mesma de antes. Mas eu tenho que me acostumar, tenho que me acostumar com a ideia de que você não será mais aquela e seguir em frente. Não que essa sua mulher não seja apaixonante, por que é. E como é! Mas, você, do jeito que é hoje, não iria aceitar meus planos e sonhos pra nós dois. Você ficaria comigo por um tempo e depois, tudo acabaria. Ficaríamos apenas bons amigos e só. 
Toda essa nossa necessidade um do outro não se passa de costume e costume a gente acaba, costume morre. E eu quero que isso acabe! Não dá mais pra continuar dessa forma. Você sabe que sempre será a mulher da minha vida. Meu primeiro e único amor. E sei que não amarei qualquer outra da forma como eu te amei e sempre vou te amar. Mas... é melhor terminar por aqui.