segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ela & Ele

Ela não gostou dele desde a primeira vez que o viu. Ele mesmo antes de a conhecer, já não gostava do seu jeito. Ela sonhava com palácios, castelos, um príncipe encantado vindo em um cavalo branco e ilhas gregas no final feliz. Ele só queria saber com quantas tinha ficado na noite desde novinho e sua única preocupação era não fazer ninguém se apaixonar por ele. Ela pensou ter conhecido seu príncipe encantado. Ele odiou quem ela escolheu para príncipe. Eles brigavam diariamente e iam pra casa com uma única frase no pensamento: "Como ele/a é insuportável". O tempo passou pra eles e ela viu que seu príncipe não era bem príncipe e ele ajudou um pouco nisso. Tudo o que ele era ela longe do que se consagrava e nunca tinha sido oficialmente um Príncipe com "P" maiúsculo. E eles continuavam a não se gostar, de longe, por olhares, por troca de farpas, por virar e dizer o quanto ele/a o/a irritava. E enchiam a boca pra dizer que jamais teriam qualquer tipo de aproximação, que jamais poderiam ser amigos já que eram tão diferentes.
E ele seguia, implicando, tento orgulho em causar ira nela. E ela seguia, com vontade toda vez que o via de socá-lo. Mas ele resolveu abrir a guarda. "Não dá mais pra ficar nesse clima!". Era briga em toda festa, toda vez que se viam, toda vez que pensavam que iriam se encontrar. E ela aceitou. Não dava mais. Ela estava frágil. Tinha descoberto que castelos, príncipes, palácios e ilhas gregas no final não existiam. Que nem sempre o final era feliz. E assim eles foram, tentando deixar suas indiferenças de lado e levantar a bandeira branca. Mas não adiantava muito, eles continuavam brigando. Até um dia.
Ela estava triste, seu dia não estava sendo legal e ele foi atrás dela. Tentando ser simpático, mas ele era insuportável, jamais conseguiria. Ela se irritou. "Se não for pra ajudar, não senta do meu lado. Não quero brigar mais". E esperou. Ele apenas a olhou e saiu de perto. Claro, ele queria brigar. Sua alegria era irritá-la. Mas aquela noite, era a noite e eles não sabiam.
Festa animada, todos se separaram, se divertiram, beberam e ela não estava no clima. Deixou sua amiga em um canto e foi recostar em uma parede. Ele estava do outro lado. Bebendo, beijando outras meninas, achando graça em ficar com várias. Até que ele avistou ela, em um canto. Não aguentou e foi falar. E não falou. Causou briga. Não conseguiu ser simpático. Ela não aguentou nem cinco minutos de papo dele e o empurrou. Quando pensou em sair de perto dele, só deu tempo de sentir suas mãos segurando seu braço e a encostando na parede. Ele tomou a atitude. Ele a beijou. Ela não sabia o que fazer, deixou se levar pelo beijo.
O beijo deles se encaixou. Foi o beijo de tirar o ar. Ele se afastou, abaixou a cabeça, encostou uma mão na parede ao lado do rosto dela. Ela olhou além da palma da mão dele e pensou. E ouviu a voz dele: "A gente não poderia ter feito isso". Não, não poderiam. Seu antigo príncipe era melhor amigo dele. E o que jamais pensaram, jamais poderia acontecer, tinha acontecido. Eles tinham baixado a guarda e demonstrado que toda aquela ira um com o outro não passava de uma atração escondida lá no fundo. Ele deu mais um beijo nela e disse que era melhor sair de perto dela e se foi. Ela não sabia o que pensar, tinha gostado do beijo dele, tinha gostado de estar com ele, de sentir seu peito pressionado ao dela e respirar na mesma sintonia que ele. E assim, começou a história deles. Que causaram tantas brigas depois, tantas intrigas, tantas inimizades, confusões e mais confusões. Só que a partir daquele dia, eles descobriram que não poderiam ficar mais longes um do outro. A história deles estava à cima de tudo, ele disse uma vez. Ela achou que era da boca pra fora e não foi, nunca foi. Ele perdeu seu melhor amigo, ela perdeu seu melhor companheiro. Mas eles ganharam mais do que isso juntos. Ela estava ao lado dele em todos os momentos que ele precisava. Ele era mais do que um companheiro pra ela, estava presente mesmo de longe, estava dando carinho mais do que ela poderia imaginar.
Ele, que era o garanhão da galera, se tornou o homem dela. Ela que era a menina sonhadora, se tornou a mulher dele. Sem precisarem namorar, sem precisarem dizer para todos que tinham algo sério, construíram coisas juntos. Uma amizade, respeito, carinho, desejo, cumplicidade, risadas e muito mais do que imaginaram que um dia poderia sentir um pelo outro. Ele a toca de uma maneira única, ela não consegue sentir tanto desejo, tanto tesão por outros homens. É só com ele. Ela o aconselha, ri das suas história, ajuda com outras mulheres, é uma mãe, uma irmã, uma amiga, uma amante pra ele todas as horas. Ele abriu a guarda mais uma vez e disse "Eu te amo!" com todas as palavras. Ela nunca esqueceu. E eles dois vão, nessa vida louca, nessa história errada desde o começo, se completando, se entendo, se amando da maneira deles.
Ela é completamente apaixonada por ele. Ele é completamente apaixonado por ela. E isso basta pra eles. Não precisam de mais nada. Só do que ele tem com ela e do que ela tem com ele e está ótimo assim. Ele pode namorar outras, ela pode namorar outros. Ela pode aconselhar ele com sua namorada, ele pode aconselhar ela com seu namorado. Só que no momento que terminam, que precisam de colo, de ombro, de carinho, de atenção, de mimo... Um corre pro outro. É mais do que imã a relação deles. É uma ligação extraordinária. É mais do que desejo. É um efeito louco que um causa no outro. E assim, eles vão. Até o dia que, quem sabe, esse relacionamento cansar. Eles podem se separar e serem felizes por todos os momentos que passaram juntos. Podem ser grandes amigos no final. Ou, serem amigos, felizes juntos. Até o final.


"I want you forever, forever & always.
Through the good and the bad and the ugly.
We'll grow old together, and always remember.
Whether happy or sad or whatever.
We'll still love each oder, forever & always.
(....)
I, love you forever, forever & always, please just remember even if I'm not there.
I'll always love you, forever & always."

domingo, 28 de agosto de 2011

Dear Outburst;

Ele chegou e pediu minha mão e me puxou pra dançar. Eu entreguei meu braço e dancei conforme sua música, conforme ele me levava. 
Deixei ele dizer pra que lado ir, se meus pés tinham que ir pra frente ou pra trás e sorria o tempo todo que ele falava sobre isso no meu ouvido.
E eu fui, entrei naquela dança, acompanhei cada passo, fiz do jeito que achava que era o certo e do jeito que ele me dizia e demonstrar ser. E quando a pista de dança estava mais animada, a nossa dança estava se encaixando perfeitamente, ele me virou as costas. Saiu andando noite à dentro, sem explicações. 
Fiquei ali, no meio da pista, sem ter o que fazer, o que falar. Se foi você que me puxou, que me levou, que fez a dança, por que no final me deixar aqui, sozinha?
É só essa pergunta, por quê?
Eu juro, eu estava gostando da forma que você estava me levando. Eu senti meus pés flutuarem tantas vezes. Uma alegria tão grande. Pra no final acabar assim? 
Se você quiser dançar de novo, quiser conversar ao pé do ouvido e fingir que não tem ninguém a nossa volta, vem. Mas me diz primeiro, por quê me deixou sozinha?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Dear Outburst;

Não dá pra entender. Sinceramente não dá pra entender. A distância de repente, a mudança de repente e agora me ignorar, não falar comigo. Eu só fiz o que achava certo. Você estava estranho, me tratou tão indiferente. Não me olhou nos olhos, não teve vontade de me beijar, me deixou falando sozinha tantas vezes. E depois? Eu, burra como sou, liguei, pedi desculpa por uma coisa que eu sabia que estava certa por causa do meu tolo medo de te perder. Só que o que não sabia era que já tinha te perdido.
Uma semana no silêncio, você quieto aí e eu na minha aqui. E mais uma vez, sua indiferença. Eu mereço isso? O que eu te fiz pra você me tratar assim? Eu fui tão tudo que qualquer um gostaria. Dei carinho, amor, fiz sorrir, nunca te exigi nada, não te prendi, não te obriguei a nada. E aí, eu mereço isso mesmo? Não, eu não mereço isso querido. E por não merecer eu chorei. Desabafei com meu choro. Ele me entende melhor do que ninguém. Fiquei na minha e seria por muito tempo, só que você tinha que aparecer né? Tinha que me mandar mensagem, demonstrar que tava sentindo falta. Mas que droga! Pra quê isso me diz, pra quê? Pra não me responder? Pra sumir de novo? Ficasse na sua, não aparecesse. Estava me conformando já!
E aí você resolveu parar de falar comigo e eu estou tendo que engolir isso. Engolir a vontade de saber por que raios você está assim comigo. O que raios eu fiz pra você fazer isso comigo. Só que meu bem, a minha consciência está tranquilíssima. Sei que não fiz nada, na verdade eu fiz tudo certo. Dessa vez eu acertei em todos os pontos. Você que errou em todos os pontos no final. Não que eu não esperasse isso, eu esperava sim. Só que não achei que seria agora que estava tudo ficando tão bem. Mas já que você esta pedindo, vou fazer o que eu sei fazer melhor e que mais eu aprendi nessas vinte primaveras: Seguir a minha vida. Se um dia você quiser me contar o seu motivo, sou toda a ouvidos e sem concordar com nada, claro! Mas estarei aqui, preparada pra fingir que te entendo, que te compreendo e que te perdoo. Só que você já tem o meu não lindo e garantido. Já tem a minha indiferença garantida. Minha cara de nojo perfeita! Só que não reclama depois tá? Você que pediu isso. 
Eu não fiz nada, completamente nada. Quem tá pedindo é você, não eu. Estava na minha, curtindo nosso jeito, querendo o nosso jeito. Mas a droga da vida tinha que estragar tudo, você tinha que estragar tudo. Eros é burro demais, já cansei de brigar com ele. Sempre me flecha pras pessoas erradas. Mas vou vencer todos vocês e vou ser feliz. Ok?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Aconteceu

"Oi meu amor. Aconteceu alguma coisa?"
Sim, aconteceu. Tudo o que eu não queria que acontecesse pra ser mais sincera. Aconteceu que eu me apaixonei. Droga, como eu me apaixonei. E você, tão distante, tão não-você, apenas fez eu dar um tapa na minha cara e vencer meu orgulho pra admitir isso. E eu chorei. Não pela sua patada, sua distância e um certo "quê" de indiferença. Mas chorei por olhar pro que eu estava sentindo e ter medo. Aquele medo que eu já falei aqui, medo estúpido, infantil, covarde de todo esse sentimento. Só de te ver de longe o sorriso abriu, o céu ficou mais estrelado (e estava cheio de nuvens), o coração palpitou e a barriga, droga, a barriga não me deixou em paz. Malditas borboletas que ficaram loucas naquela hora! 
Aconteceu que eu não sei virar as costas pra você. Tantos momentos que eu sabia que era pra ter te deixado, ter saído de perto, ter me tocado e não fiz. Não consigo virar as costas pra você com medo, lá vem ele de novo, medo de te perder assim. Mas qual é, por que isso? Uma coisa tão diferente pra mim e eu não estou sabendo lidar com isso tudo. Medo, sentimento, medo, medo. Até quando você brincou, ou não, sobre a colheira eu fiquei nervosa, achando que você estava me vendo como o Superman, visão de raio laser e percebendo o quanto meu corpo mudava a cada olhar, aproximação, toque. Entenda amor, eu não quero te prender a mim e nem me prender a você. Só quero um pouco do que nós somos, sempre. Compromissos nunca dão certo pra mim e nos dias de hoje, pra poucas pessoas dão. Só que doeu tanto te ver daquela forma.
Eu sempre faço promessas pra mim mesma, para todos os Santinhos possíveis,  que da próxima vez eu vou ser forte, não vou chorar. E aí eu te pergunto, quem disse que eu consigo?
Eu sou tão fraca, tão frágil, tão sensível quanto um bebê. Posso não demonstrar toda hora, mas sou. No fundo, no fundo, eu sou apenas uma mulherzinha. Uma garotinha que ainda tá aprendendo sobre sentimento e eu me sinto assim mesmo. Só que você derruba meus pensamentos, minhas promessas. Vira meu mundo de cabeça pra baixo sem precisar. Tira as forças da minha perna. Causa suor na palma das minhas mãos. Ativa um monte de borboletas que uma mulherzinha qualquer tem na sua barriga.
E eu orgulhosa como sou, não quero. Não quero admitir, não quero sentir, não quero querer! 
Com tantos motivos pra ficar feliz, leve, bem, do jeito que eu quero, eu só vejo o lado ruim da coisa. Os defeitos do relacionamento. O que PODE acontecer e não necessariamente vai acontecer. Eu procuro em pequenos detalhes um motivo pra sofrer. Só isso explica. Eu olhei o telefone, eu tive toda certeza que eu queria ter. Aquilo não foi uma prova? Não sua boba, você esquece disso. Você só quer pensar nas coisas ruins. Que coisa! Mas é que você, tão você e apenas você me traz todos os meus medos, minhas inseguranças, minhas vontades bipolares. Só não queria estragar tudo de novo entende? Mais uma vez com os meus erros e bobeiras banais. É o motivo de ter te ligado depois e passado por cima do orgulho pra me desculpar. Não quero me perder de nós. Dessa história louca, confusa, gostosa, leve e livre que nós dois compartilhamos. Quero eu, você, até quando der, quando puder, do jeito que tem que ser. Mas que no final eu me sinta feliz e satisfeita e não com lágrimas nos olhos. Desculpa desculpa desculpa de novo, sem pausas.