Acho que já está mais do que na hora de admitir, confessar e assumir que idealizo um príncipe. Sim, um príncipe e explicarei porque o chamarei assim: É uma pessoa que não existe. Apenas um conto de fadas fajuto para enganar pobres criancinhas. É uma mentira de um filme, de um livro. Por mais que eu tente, com todas as minhas forças, esconder meu lado romântica, às vezes é difícil não ficar irritada por ter sido enganada por minhas tolas expectativas românticas.
Eros me enganou. José de Alencar me enganou. A Disney me enganou. E Ed Sheeran construiu em mim, coisas das quais eu não quero esperar. Nesse momento de confissão romântica, a única pessoa que sempre me mostrou a realidade e me incentivou (tudo bem, algumas vezes incentivou para o lado errado) foi o Sr. Cuervo. Ele foi um bom amigo todas as vezes que via que estava errada sobre ter encontrado esse maldito príncipe.
Acontece que eu espero por um Homem, com H maiúsculo mesmo. Uma pessoa que se apaixone por mim do jeito que eu sou e depois não queira me mudar, afinal de contas ele se apaixonou por mim dessa forma. Que entenda minhas manias, fobias e agonias e não faça disso motivos para brigas. Que entenda que às vezes eu preciso sentar em um bar na esquina (como um menino mesmo) e conversar sobre futebol e luta com meus amigos homens. Que me sequestre para uma viagem romântica ou apenas para um passeio especial. Que faça questão de ouvir minhas músicas preferidas para cantar alto dentro do carro comigo. Que ao levar trabalho/estudo para casa, deixe isso um tempinho de lado para ver Bob Esponja ao meu lado. Que entenda meu choro quando o Wall-E quase morre, porque o amor dele e da Eva é lindo. É puro. É verdadeiro. Como o nosso!
Que ele me leve para a praia em uma noite de lua cheia e assim como eu, peça a proteção dela para nós. Que me mande cartas, esconda bilhetes, mande flores, uma simples mensagem, recite uma música e ligue só para ouvir minha voz antes de dormir. E por fim, quero um homem que compreenda a minha alegria, tristeza, ansiedade, nervoso por uma coisa tão simples: Uma banda predileta. E mesmo não curtindo, vá ao um show comigo e fique feliz apenas com o fato de que eu estou plena, ali. Curtindo tudo ao lado dele. Entende agora? Esse homem não existe.
E nessa de procurar procurar príncipes, só encontro é pessoas com fantasia alugada e coroa do Burguer King. Só encontro problema ao invés de uma solução matemática simples, onde 1+1=2. Toda a minha criação romântica literária para o meu príncipe, se transforma em um menino na minha frente que merece mais um tratamento psicológico do que sentar no trono ao meu lado e reinar um Império.
Eu tenho que encarar que tenho uma alma com um "quê" de Dom Casmurro. Nasci para ser romântica mas vivo relacionamentos frustados. Enquanto isso, vou vivendo essa vida mentirosa de passarinho fugindo de uma gaiola e principalmente dos loucos que Eros tira do manicômio e insiste em colocar na minha vida.
