quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Príncipe inexistente


Acho que já está mais do que na hora de admitir, confessar e assumir que idealizo um príncipe. Sim, um príncipe e explicarei porque o chamarei assim: É uma pessoa que não existe. Apenas um conto de fadas fajuto para enganar pobres criancinhas. É uma mentira de um filme, de um livro. Por mais que eu tente, com todas as minhas forças, esconder meu lado romântica, às vezes é difícil não ficar irritada por ter sido enganada por minhas tolas expectativas românticas. 
Eros me enganou. José de Alencar me enganou. A Disney me enganou. E Ed Sheeran construiu em mim, coisas das quais eu não quero esperar. Nesse momento de confissão romântica, a única pessoa que sempre me mostrou a realidade e me incentivou (tudo bem, algumas vezes incentivou para o lado errado) foi o Sr. Cuervo. Ele foi um bom amigo todas as vezes que via que estava errada sobre ter encontrado esse maldito príncipe.
Acontece que eu espero por um Homem, com H maiúsculo mesmo. Uma pessoa que se apaixone por mim do jeito que eu sou e depois não queira me mudar, afinal de contas ele se apaixonou por mim dessa forma. Que entenda minhas manias, fobias e agonias e não faça disso motivos para brigas. Que entenda que às vezes eu preciso sentar em um bar na esquina (como um menino mesmo) e conversar sobre futebol e luta com meus amigos homens. Que me sequestre para uma viagem romântica ou apenas para um passeio especial. Que faça questão de ouvir minhas músicas preferidas para cantar alto dentro do carro comigo. Que ao levar trabalho/estudo para casa, deixe isso um tempinho de lado para ver Bob Esponja ao meu lado. Que entenda meu choro quando o Wall-E quase morre, porque o amor dele e da Eva é lindo. É puro. É verdadeiro. Como o nosso!
Que ele me leve para a praia em uma noite de lua cheia e assim como eu, peça a proteção dela para nós. Que me mande cartas, esconda bilhetes, mande flores, uma simples mensagem, recite uma música e ligue só para ouvir minha voz antes de dormir. E por fim, quero um homem que compreenda a minha alegria, tristeza, ansiedade, nervoso por uma coisa tão simples: Uma banda predileta. E mesmo não curtindo, vá ao um show comigo e fique feliz apenas com o fato de que eu estou plena, ali. Curtindo tudo ao lado dele. Entende agora? Esse homem não existe. 
E nessa de procurar procurar príncipes, só encontro é pessoas com fantasia alugada e coroa do Burguer King. Só encontro problema ao invés de uma solução matemática simples, onde 1+1=2. Toda a minha criação romântica literária para o meu príncipe, se transforma em um menino na minha frente que merece mais um tratamento psicológico do que sentar no trono ao meu lado e reinar um Império.
Eu tenho que encarar que tenho uma alma com um "quê" de Dom Casmurro. Nasci para ser romântica mas vivo relacionamentos frustados. Enquanto isso, vou vivendo essa vida mentirosa de passarinho fugindo de uma gaiola e principalmente dos loucos que Eros tira do manicômio e insiste em colocar na minha vida.

domingo, 7 de outubro de 2012

Sofá


Mais um dia amanhece. Abro os olhos e a primeira que vejo é o reflexo do sol na parede branca desse quarto. Resolvo mudar de posição e dou de cara com você. Em um porta-retrato, nos tempos em que éramos felizes. A saudade que bate, não sei explicar, mais é que eu estava precisando agora de você fora desse porta-retrato e corpo a corpo comigo, embaixo desse lençol. Sentir o seu cheiro de bebê e entranhar meus dedos em seus cabelos, é a melhor forma que vejo de acordar. Mas você não está aqui. Eu não sou mais você. Levanto e vou direto para o banho lavar qualquer lembrança com água-fria, depois me olho no espelho por mais cinco minutos antes de começar a tirar a barba. É que não tem mais graça tê-la sem você para acariciar e dizer o quanto gosta de mim barbado. Lembro da vez que você fez a cara mais fofa ao quase implorar para eu não tirá-la; quase corto meu rosto. Vou até a cozinha e preparo um suco de manga, porque maracujá é coisa sua. Pra acalmar o coração, você dizia. E sinto uma tremenda falta da sua mania de queimar o pão na chapa e comê-lo queimado com geleia de framboesa. Meu estômago revira. É melhor sair sem comer nada. Até o cachorro sente a sua falta, ele nunca mais foi tão alegre depois que você partiu. Agora ele mal levanta a cabeça quando dou bom dia.
Sento no sofá e crio coragem para ir trabalhar mais um dia. Hoje completa 305 dias que a minha pequena arrumou suas coisas e foi embora. Ela disse que estava difícil conviver comigo. Que nosso amor havia esfriado e não passávamos de dois estranhos dividindo o mesmo teto. Que minha profissão, sua profissão, não encaixavam horários e ela passava a maior parte do tempo sozinha. O que eu posso fazer? Eu resolvi salvar vidas pelo mundo, enquanto você prefere se enfiar em uma sala com milhares de homens e andar com uma arma na cintura. E quando eu estava em casa, você estava engolindo livros e mais livros de direito enquanto eu só queria você aquecendo o lado esquerdo do meu peito. A culpa não foi toda minha, nem sua, nem da vida, nem do cachorro. Acontece que acima do nosso amor, a gente nunca deveria estar junto. O que começou errado, sempre será errado. Mais ou menos assim. Eu só queria uma companhia pra fumar, enquanto você só queria sentar. Naquele momento a gente deveria ter percebido que nunca deveríamos levar a frente o que estava acontecendo ali. 
Agora eu sinto até falta da sua mania de cantar alto no banheiro as suas músicas e eu gritar que você nunca vai conseguir falar rápido igual ao Ed Sheeran nas músicas e que as canções do John Mayer me deixam depressivo. E quando você escondia meus discos do Slipknot porque você detestava que eu escutasse no último volume, mas eu adorava sua cara de nojo e fazia de implicância mesmo. 
Pequena princesa de um metro e meio, eu só quero que você volte. Estou aqui deitado no nosso sofá, falando comigo mesmo, lembrando das nossas coisas e querendo você aqui. Sendo certo ou errado. Com distância ou sem distância. Com Ed Sheeran ou John Mayer. Com viagens a Londres, Brasília ou apenas uma volta na praia da Barra. Eu não tenho nem forças para pegar o celular e te ligar. Eu não ligo se você é um pequeno passarinho que sua única jaula é seu trabalho. Eu preciso de você! O cachorro também. Vem pro nosso sofá e me ajuda a ter forças pra voltar ao trabalho.