Ando pensando muito desde quarta-feira. Madrugada passada, quando coloquei minha cabeça no travesseiro, foi difícil dormir. Pensando, pensando. Eu tenho estado, de uns tempos pra cá, cada vez pior. Estou praticamente ficando careca por sua causa. Essa minha ansiedade de que a qualquer momento eu posso te ver, só faz minha tricotilomania aumentar e quando olho pro chão do meu quarto, pra mesa do meu computador, vejo a resposta que eu tenho dessa agonia toda: Cabelos que eu arranquei. Isso é um mal. Não desejo à ninguém essa doença que é a ansiedade que nos causa tantas coisas ruins.
Pensando sobre isso cheguei a conclusão de que está na hora de me conformar. Há alguns anos atrás eu fiquei três anos sofrendo por uma pessoa. Mas ele era tão mais presente que você. Tão vivo. A gente se via, se falava, ficavámos e eu senti que ele gostou de mim alguma vez. Você, já não sei mais definir o que antes tinha certeza sobre seus sentimentos. Um estranho, é isso que você é e sempre foi. Um estranho. E olha que ironia, eu me apaixonei por um estranho.
Sempre tive a completa certeza de que me apaixonei pela pessoa errada - bem aquela música do Exaltasamba - só que sabe aquela frase "sou brasileiro e não desisto nunca"? Pois é. Fui super brasileira nessa história toda. Estou há mais de um ano sofrendo por uma pessoa que esta aí, pelo mundo, vivendo a sua vida, conhecendo outras mulheres, amando outras. Preferindo outros portos do que o meu. Que é tão seguro, tão carinhoso, tão confiante e que quer tanto você por perto. Mas a vida é assim não é? Nós, seres humanos, temos que passar por essas experiências e aprender a lidar com elas. Já passei por coisas muito ruins coração, coisas que você nem imaginou no tempo que esteve perto de mim. Pra ser sincero, acho que você nem imaginou o quanto amar você confortava e curava todo o sofrimento que eu estava passando.
Um dia, quem sabe, eu possa te falar sobre tudo isso. Apenas sentar e conversar. Sobre o que aconteceu de verdade, o que foi imaginação e o que não foi, toda essa minha ilusão, essa minha espera. Poderemos falar também sobre o que poderíamos ter sido ou quem sabe, vamos ser. QUEM SABE. Agora, nesse exato momento, eu estou abrindo mão de você. Abrindo mão desse amor que está guardado no meu peito. Faço isso pra tentar seguir, ser feliz. Tenho que parar de chorar todas as noites. Ter sempre esse aperto no peito e todas essas outras coisas que tenho falado aqui. Estou tentando seguir o seu jogo. Ser feliz com o que a vida me dá. Se a vida não me dá você, o que eu posso fazer? Não posso é ficar imaginando todo final de semana que você está com outra mulher e me martirizar por isso. E te juro, cansei de ficar olhando para outros homens e sentindo nojo deles e depois ficar me culpando por não ficar com ninguém, por querer uma companhia e não ter.
O que eu estou precisando é voltar a minha vida antiga. Sair e conseguir me divertir. Me acabar de dançar. Sorriso no rosto. Peito aberto pra novos sentimentos. Pra novas pessoas. E sim, se sentir interesse por alguém, sim, ficar. Beijar. Abraçar. Fazer o que eu tenho vontade. Viver o momento. Tanto tempo que eu não sei o que é isso coração. Viver o momento, sem depois deitar e me culpar. Me sentir traindo você, enquanto você me trai com tantas outras e nem se quer faz o mesmo que eu.
Você nem deve lembrar, mas agora - esta tão pertinho - em Novembro, vai fazer dois anos que eu não te vejo. Você tem uma noção do que é amar sozinha em dois anos? Não, acho que não. E madrugada passada, foi quando eu me toquei disso. E, qual é, não posso continuar me maltratando assim. Não sou uma das pessoas mais bonitas do mundo, mas dou pro gasto. Sempre consegui o que eu queria, sempre tive um objetivo (homem) e lutei por aquilo. E agora? Não vou mentir, tenho meus objetivos, mas e a vontade de lutar por eles? De correr atrás? Fica no peito guardado embaixo do meu amor. Não, não, não. Não pode ser assim. Tenho que voltar a ser a mulher que a vida tem me ensinado a ser. Que sempre teve tantos casos. Tantos rolos que não sabia como sair deles. No fundo eu sempre me senti sozinha. Mas pelo menos, companhia não faltava.
Espero sim, um dia poder te encontrar e conversar sobre nós, isso se um dia existiu esse nós. Quero ouvir da sua boca tantas coisas. Tantas coisas que você nunca teve capacidade de falar pra mim. E olha, repensando muitas coisas, tenho que confessar que te acho fraco. Fraco. Fraco. É tão bom me referir a você assim. Mostra o quanto estou evoluindo. Sei que já disse milhares de vezes nesses quase dois anos que agora é pra valer, que vou te esqueçer, mas qual é, agora isso tem que ser sério. Me leve a sério. Estou abrindo mão do sentimento puro que eu tenho por você. É como se eu tirasse meu coração e fizesse uma limpeza nele e dessa limpeza saísse você, a sujeira que tanta incomodava. Desculpa falar de você dessa forma, mas é a mais pura verdade. Você incomodava e atrapalhava. Isso não vai mais acontecer.
Com a mais sinceridade possível desejo à você uma paz incrível, uma vida memóravel. Que um dia você case, tenha filhos e seja tão feliz quanto eu fui por alguns momentos com você. Que você sinta por alguém tudo que eu senti por você e que a pessoa não seja igual a você (burra) e retribua esse amor. Claro, desejo uma saúde espetácular, que você continue sendo essa pessoa, com atitudes idiotas, mas que tire sorriso do rosto de muitas pessoas. Você merece sim, o melhor. Tão melhor, que não sou mais capaz de ser. Eu vou ser melhor pra mim, melhor pro próximo que ocupar seu lugar. Posso errar como errei com você. Mas pra que no final, eu fale com muito mais certeza que valeu a pena, do que agora, nesse nosso final.
Você valeu a pena sim. Por muito pouco tempo. Depois, nunca mais valeu. Nada. Nem sofrimento.