domingo, 9 de setembro de 2012

Em uma festa qualquer, sempre você


E então ele estava lá. Com a mesma cara de sempre. Mesma barba por fazer. Mesma cara de mau pra esconder o coração puro. Lá estava ele e lá estávamos nós, mais uma vez nos esbarrando pelas festas. Entre bebidas, pegações e música alta. Estávamos nós no mesmo lugar e em planetas diferentes. 
Ele é da classe dos ricos e eu tô mais pra classe de quem não sabe o que quer da vida. Enquanto ele já tem seu carro, seu dinheiro, cara de filhinho de papai e charme de quem corre atrás do seu, eu ainda nem sei o que quero ser quando crescer. E eu já cresci. É que simplesmente meu leque de opções me faz ter muitas dúvidas.
E ali vai ele, passando e atraindo olhares de todas as mulheres da festa porque definitivamente, ele é bonito. Sinto uma enorme vontade toda vez que o vejo de colocá-lo em meus braços e acariciar seu rosto enquanto canto uma música doce. É que não adianta, pra mim ele é apenas mais uma criança precisando de proteção e toda essa pose é mera pose.
Devo confessar que fico confusa e não acredito no meu potencial quando por algum motivo cruzamos olhares. Não foi pra mim que ele olhou, tenho certeza. É que a garota ao lado tem mais peitos que eu, a outra ali é a loira mais linda que eu já vi. O que ele veria em mim? Nós somos de planetas diferentes. Já falei sobre isso. Eu sou aquela que anda com meninos, fala o que pensa, fala palavrão e o que me faz ter certeza que não é pra mim o olhar é o fato de todas as outras parecerem mais femininas que eu.
Gosto de me cuidar, me vestir bem, só não sei ser menininha o tempo todo. Na verdade, sou um menino de salto. E a outra ali do lado transparece que vai ao salão no mínimo 3 vezes na semana, fala com jeito fofo e meigo e não passa de uma garotinha mimada.
Mas, ele chama atenção. Ele tem minha atenção. Meu olhar. Minha pulsação acelerada. Se ele me pedir desculpas mais uma vez eu juro que agarro Eros pelo pescoço e o obrigo a flechar esse senhor educadinho. Eu aprendo a tocar violão, faço serenata, dou a lua em troca de um carinho dele e mesmo assim, ele ainda não vai me enxergar. Não é exagero, é aquele esquema: Areia demais pro meu pequeno e humilde caminhãozinho. E seus olhos ainda não conheceram os meus direito. E o seu corpo ainda não conhece o meu toque. E esse maluco tentando puxar assunto comigo ainda não percebeu que ele não é você.
Por favor, ao sair, cuidado. Cuidado porque minha respiração e coração vão te seguir. Elas voltaram para mim depois, só que nessa mesma hora, na semana que vem, em uma outra festa qualquer, eles estarão aqui a sua espera. Torcendo pra você me agradecer por ajudar você a pegar um copo no bar, ou esbarrar mais uma vez em mim e me pedir desculpas. 
É que nesses pequenos momentos, eu e você pertencemos a um planeta só. Depois que você for embora, eu estarei aqui sonhando com você em cima de um cavalo branco vindo me resgatar dessas festas fuleiras com chatos e loucos. Porque você é isso. O meu príncipe encantado. Alguém que nunca vai aparecer realmente na minha vida. É apenas sonho e imaginação. E a realidade tá um pouco distante agora.