E se você me ver
sorrindo a toa por aí, não estranhe. Aquele sorriso mais idiota do mundo
voltou. E não foi por querer não. Ele voltou sem controle algum, é difícil
querer domar um leão que vive na floresta não é? Então, é mais ou menos assim.
Não consigo controlar esse maldito sorrisinho. E toda vez que me pego acordando
sorrindo, eu sei, é sinônimo de que vai dar mer.... Coisa muito ruim por aí. Não
que esse menino seja coisa ruim, pelo o contrário. É só que. Eu não sei
explicar isso tudo. Acho que se ele admitisse que fez amarração do amor e colocou
meu nome, seria a explicação mais cabível nessa história toda.
Esse menino,
olha.... Mexe demais com as estruturas do meu palácio, do meu reino e de toda a
construção que ando e andei fazendo. Eu achei que tinha encontrado o meu príncipe,
que o beijo tinha me despertado pra uma nova vida. Que agora, agora sim, eu
seria uma princesa completa. Mas o conto de fadas não é verdadeiro. Os irmãos
Grimm já tinham falado sobre isso. Só que eu, sozinha, com medo, assustada, me
deixei levar por um buquê de flores, meia dúzia de palavras e carinhos. Só que
não adianta, é os plebeus que a mulherada gosta. Eu realmente amei aquele príncipe
e fiquei sem chão, em pedaços quando ele se foi. Só que na primeira aparição do
plebeu, meu coração quase saltou pela boca. Fui embora daquele baile de gala,
porque se eu chegasse perto do plebeu, eu não resistiria.
Qual é, vai me dá
um desconto. É quase impossível não sorrir imaginando ele de padrinho no
casamento da irmã, ou quando ele resolve me mandar mensagem às 5 horas da manhã
de uma sexta-feira depois que já bebeu algumas. Pra ele, eu aceito sem
restrições contratuais, ser a mulher do fim de noite. Porque é pra ele que eu
quero ligar no final da noite, quando a balada foi chata, quando alguma coisa
me lembra dele. E não me importo se ele briga comigo por isso, eu adoro aquela
mania de implicar com tudo que eu faço que ele tem. Ou seu jeito sutil de
responder minhas mensagens. Ou sua brincadeira que no fundo é ciúme.
Por mais que eu
saiba que tenho essa mania de querer esquecer alguns amores, revivendo outros antigos, eu sei que não está sendo bem assim. O que tínhamos antes, nada mais
era do que uma história mal resolvida. Uma história que fazia bem sem
estresses. Se fosse diferente, acho que não seria tão bom. E agora, vai ser
diferente? Todos nós mudamos, um dia após o outro, um pensamento, uma forma de
agir. Eu mudei, ele pode ter mudado, o mundo mudou e agora; vai, deixa
acontecer. O que importa é saber que vou olhar para aqueles olhos que eu tanto
gosto novamente e ver ternura. Importa mesmo é saber que aquele sorriso de
canto de lábio vai ser pra mim de novo. E que esse meu sorriso, é bom,
prazeroso, não machuca, não incomoda e não me prende.

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